Papoula Rubra

A artista está conectada

Papoula Rubra

Ano: 2021

A artista está conectada

Selecionada e fomentada pela convocatória para Programação de 2021 do Memorial Minas Gerais Vale.

Conectada a um software de webconferência, durante 24 horas, transmiti no YouTube o meu cotidiano, a partir das câmeras do notebook e eventualmente do celular. A partir de prévia inscrição, necessária devido aos direitos de voz e imagem, as pessoas puderam entrar na conferência, situação na qual eu as escutei e contemplei em silêncio, interrompendo qualquer atividade para prestar atenção plena a elas. A performance surge a partir da reflexão sobre como pensar um trabalho de performance feito necessariamente para o âmbito virtual, realizando uma improvável aproximação entre a obra The Artist is Presente, de Marina Abramovic e o Chatroulette.

A artista está conectada
Detalhe: Selecionada e fomentada pela convocatória para Programação de 2021 do Memorial Minas Gerais Vale.
Técnica: PERFORMANCE DIGITAL 24 HORAS
Ano: 2021

Conceito

A presente proposta surge da reflexão sobre como pensar um trabalho de performance que fosse pensado e feito necessariamente para o âmbito virtual, entendendo esse espaço que simula-se intangível como, também, um espaço público, passível de intervenção a partir dos recursos que oferece, sem, contudo, tentar reproduzir uma experiência própria exclusivamente ao espaço material, que exige a presença.

Fazendo referência à performance de Marina Abramovic, The Artist Is Present, simultaneamente à improvável aproximação com o Chatroulette, propõe-se uma performance que consiste na presença da artista (que também é uma desconhecida), de modo virtual, durante um dia: de uma manhã a outra, sendo, então, a conferência finalizada no segundo acordar. Estarei em minha casa, fazendo as atividades rotineiras, incluindo dormir, com a câmera ligada e em gravação, conectada a um aplicativo de conferência para receber os visitantes.

Para além da exibição, pessoas poderão entrar na sala a partir do link, uma a uma, para uma interação despretensiosa, sem seguir as normas usuais de comportamento esperada no encontro entre duas pessoas. Isto é, ela pode se conectar e ficar em silêncio, desabafar, realizar uma atividade, contar algo, tocar uma música, ler um poema, comer, trabalhar. Permanecerei em atividade difusa, disponível para interrupção e atenção ao interlocutor tão logo ela a demande, sem, contudo, falar – me disponibilizando como espectadora silenciosa do outro.

Dessa maneira, pretende-se uma experiência de inversão dos papeis geralmente estabelecidos entre artista e espectador, consistindo o trabalho artístico na presença e atenção ao que o público deseja me mostrar. Trabalha-se, também, a noção de conexão em sua ambiguidade: como termo utilizado para dizer do acesso à internet e como o estabelecimento de um vínculo humano. Pretende-se, justamente, pensar a partir da arte as possibilidades de conexão, inclusive improváveis, entre pessoas no meio virtual assim como a conexão entre os fragmentos de espaço-paisagem compartilhados nesse tipo de encontro.

No que diz respeito aos aspectos técnicos, pensa-se em exibir o vídeo para que o público geral possa assistir – na internet e no espaço expositivo. Para viabilizar a gravação e mencionada exibição, sugere-se a prévia autorização de voz e imagem, além agendamento dos participantes de um horário. Parte do horário pode ser reservado para pessoas que frequentando o espaço do Memorial, desejem participar espontaneamente acessando a sala a partir de seu celular ou de equipamento disponibilizado no local com a sala aberta. Para me indicar a presença do interlocutor, a pessoa deverá dizer: “Atenção! Atenção!”, de modo que me dirigirei à tela. Assim, a obra se multiplica como experiência imediata para os que participam, como outro produto para os que observam ao vivo e, ao final, como vídeo-recordação, que poderá continuar a ser exibido.

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